Tuesday, November 28, 2006
o uso do livro didático pelas crianças
Tema: O uso do livro didático pelas crianças.
A escrita é um dos meios de comunicação mais antigos utilizados pela humanidade. Através dela a humanidade já descobriu e decifrou estilos de vida de várias civilizações como a do Egito que deixou uma escrita própria e fascinante até hoje.
Como disse Pierre Lévy "a escrita abriu um espaço de comunicação,(...) no qual tornáva-se possível tomar conhecimento das mensagens produzidas por pessoas que encontravam-se a milhares de quilômetro, ou mortas há séculos, ou então que se expressavam apesar de grandes diferenças culturais ou sociais."(1999, p.114)
Por outro lado a destruição de documentos escritos deixou muitas lacunas em vários períodos históricos como a registrada no Brasil. Quando ministro e secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e presidente do tribunal do Tesouro Nacional, Rui Barbosa mandou "eliminar" os registros históricos do período da escravidão. Até hoje discute-se os verdadeiros motivos e intenções por trás desta ação: limpar esta mancha do país para não ser conhecido como um país escravista ou impedir os futuros pedidos de indenização por parte dos decendentes destes escravos?
Diante destes exemplos não podemos negar a importância dos impressos no nosso cotidiano, seja através dos registros históricos, livros, jornais revistas, blog, comunidades virtuais, e-mail, orkut para citar alguns dentre as infinitas modalidades existentes de material escrito.
O livro didático é o exemplo de impresso mais usado nas escolas e em muitos casos é a única fonte de conhecimento utilizado pelo professor. Ele é chamado de "um mal necessário" por Ana Faria(2000,p.86), pois ainda hoje há lugares, em especial nas pequenas cidades, que o livro é artigo de luxo e fonte única para pesquisa e apropiação do conhecimento.
Muito se fala no direito assegurado que o professor tem na escolha do livro didático, mesmo que em muitas situações o livro escolhido pelo corpo docente não seja aquela que chega a escola, ou por falha da gestão escolar que deixa de comunicar a secretaria de educação a escolha do livro ou por erro/conveniência desta própria secretaria em adotar os livro de uma mesma editora. Mas pouco é lembrado do efeito que este tem sobre seu principal usuário,a criança, e de que maneira ela percebe e assimila os conteúdos trabalhados no livro.
O seu conteúdo geralmente está separado da realidade das crianças, em especial, das crianças oriundas de escolas públicas, chegando muitas vezes ao ponto de omitir ou disfarçar situações sociais enfrentadas por crianças das classes mais populares.
De acordo com Faria "o livro didático contribui para a reprodução da classe operária, porém de posse da ideologia burguesa, portanto, conformista e passiva." (2000, p.83) Ainda segundo Faria "para as crianças da escola pública, o livro didático, negando e ignorando suas experiências de vida, reforça seu discurso", o da burguesia. (2000, p.83)
A falta de uma representação no livro mais realista e constante da criança negra, do portador de necessidades especiais, da mulher como gênero que trabalha e cuida sozinha dos filhos, da representação romantica do índio como um povo exótico e díguino da piedade dos brancos para sobreviver, entre outros exemplos que demonstram a dominação ideológica da classe burguêsa.
Em muitos casos o discurso burguês é confirmado através da postura do professor ao não levantar perguntas questionadoras aos alunos, conformando-se em ser apenas um agente reprodutor das mentiras históricas como a libertação dos escravos no Brasil ser um ato sublime da família real, a descoberta do nosso país por Pedro A. Cabral e muitas outras falcidades levantadas e até hoje prepetuadas nas escolas do país.
Por esta questão, Lemos cita que "é preciso repensar a figura do professor, não como transmissor do conhecimento, mas como mediador de um debate construído através da pesquisa e de uma multiplicidade de opiniões de sujeitos ativos no processo de aprendizagem." (2004, p.9)
Por convenção em sua grande maioria o livro didático destaca a leitura, intrepretação oral, escrita ou, as vezes, elaboração textual, não favorecendo a pesquesa e exploração por parte do aluno.Desta forma, Mello diz que " o livro didático do aluno não pode mais ser concebido como um conjunto autocontido de informações ou conceitos." (2004, p.70)
Então como usar o livro do aluno para que favoreça a apredizagem e os interesses deste?
Conforme a própria Mello "o processo de construção do conhecimento pelo livro tem de ir além do próprio livro."(2004, p.70) Ou seja, o livro pode e deve ser usado junto a outros impressos, vídeos, intrenet, etc. Com um objetivo em comum para a construção coletiva ou conforme Levy, para a formação da "inteligência coletiva" (1999, p.131), que é um princípio da cibercultura concebida pelo autor, a partir do qual todos são considerados responsáveis pelo processo de conhecimento uns dos outros, em que todos estão envolvidos, transformando a informação em conhecimento através da cooperação.
O mesmo princípio de "inteligência coletiva" pode ser usado nas construções colaborativas de trabalho em grupos, oficinas de ciências ou cultural em conjunto com o livro didático, onde os alunos constroem junto com o professor o produto das oficinas.
Enfim os impressos assim como o livro didático não foram sepultados, isso acontece porque cada meio de comunicação é diferente, um não subistitui o outro.
Levy indica que "aceitar a perda de uma determinada forma de domínio significa criar uma chance para reencontrar o real". (1999, p.120) As novas formas de tecnologia já são uma realidade e não devemos dispensar o seu lugar na educação podemos viver e conviver em armonia para um bem comum e aprimoramento coletivo.
REFERÊNCIAS:
FARIA, Ana Lúcia G. de. Ideologia no livro didático.São Paulo:Cortez,2000.
FREITAG, Bárbara; MOTTA, Valéria; COSTA, Wanderley Ferreira. O livro didático em questão.São Paulo:Cortez,1997.
LEVY, Pierre. Cibrecultura.São Paulo: Ed. 34,1999.
MELLO, Guiomar Namo.Educação Escolar Brasileira: O que trouxemos do século XX?: Artmed Editora S.A, 2004.
http://www.facom.ufba.br/hipertexto/educa.html
http:www.seculodiario.com/negros/pombo/index02.htm-21k
Comments:
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Oi Cau,
Gostei muito da abordagem que você faz do livro didático no seu artigo. Você lembrou bem, nós estamos falando sempre dos problemas que o livro didático possui, das dificuldades que os professores enfrentam p/ trabalhar com livros didáticos ruins mas esquecemos sempre de procurar saber a opinião do seu peincipal usuário, o aluno.
Muito legal essa abordagem. Valeu!
Beijos!
Io
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Gostei muito da abordagem que você faz do livro didático no seu artigo. Você lembrou bem, nós estamos falando sempre dos problemas que o livro didático possui, das dificuldades que os professores enfrentam p/ trabalhar com livros didáticos ruins mas esquecemos sempre de procurar saber a opinião do seu peincipal usuário, o aluno.
Muito legal essa abordagem. Valeu!
Beijos!
Io
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